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10/05/2021 às 18h08min - Atualizada em 11/05/2021 às 16h12min

Interesse pelo guzerá cresce entre os produtores de leite

Pelas características da raça, até os bezerros nascidos têm utilidade para o produtor

SALA DA NOTÍCIA Marcelo Moreira
Touro guzerá SULFO TE Taboquinha, da bateria CRV - divulgação/CRV
Primeira raça de zebuínos a chegar ao Brasil, ainda no século 19, o guzerá vive um momento de renovado interesse entre os pecuaristas do país. A procura por sêmen da raça tem crescido continuamente desde 2018, especialmente no segmento do leite, e nos quatro primeiros meses de 2021 apresentaram um pico de demanda.  
“Nossas vendas de guzerá leiteiro aumentaram 59% de janeiro a abril de 2021, percentual que é o dobro do crescimento do mercado de inseminação artificial como um todo no Brasil este ano”, comenta o médico veterinário Antônio Garcia, gerente de produto da CRV, pioneira em inseminação artificial no país, mercado em que domina mais de 50% das vendas de sêmen de guzerá de leite. 
 
Do ponto de vista zootécnico, segundo ele, a procura se dá pela combinação da capacidade produtiva e da rusticidade do guzerá. “É um animal que oferece grande produção leiteira e que aguenta as condições brasileiras, como as temperaturas elevadas”, explica o gerente da CRV. Em comparação, as raças europeias são mais exigentes em termos de conforto para que se garanta uma boa produção leiteira. 
Outro fator é que, no cruzamento de raças, o guzerá transfere muito bem suas características de estrutura da raça. “Mais e mais produtores hoje buscam o guzolando (cruzamento entre guzerá e holandês) porque, se nascerem fêmeas, elas terão boa produção leiteira e, no caso de nascerem bezerros, os animais podem ser revertidos para o corte devido à capacidade de ganho de peso do animal”, exemplifica Garcia. “Toda cria dá lucro”, resume ele. 
 
Admiradores fanáticos:
Conhecido pelo grande porte e pelos imponentes chifres em forma de lira, os primeiros registros da raça guzerá no Brasil datam de 1870. Além da produção de carne e leite, os animais eram usados para puxar carroças de café. Popularizou-se pelo país, especialmente no Nordeste, mas acabou sendo superada por outras raças. Hoje o guzerá representa cerca de 5% do rebanho de zebuínos no Brasil, segundo dados de 2017 da Associação dos Criadores de Guzerá e Guzolando do Brasil (ABCG).  
“Ainda que formem uma proporção pequena no rebanho zebuíno, seus criadores são fanáticos pela raça”, diz Garcia, da CRV. O guzerá aparece em Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Goiás. “A maior concentração está entre Governador Valadares e Juiz de Fora, em Minas”, atesta Garcia. “Nessas regiões estão concentrados os maiores criadores de guzerá puro, que possuem os patriarcas da raça”, confirma Garcia. 
Para aproveitar o interesse atual pelo guzerá, a CRV reforçou seu plantel da raça com vários novos touros. “Vamos manter nossa liderança no guzerá leiteiro”, diz ele. “Dos 10 touros guzerá melhor classificados no sumário do Centro Brasileiro de Melhoramento Genético, sete são filhos de touros de nossa bateria”, diz ele. “Por isso, dizemos que a CRV tem a Soberania Guzerá no Brasil”, conclui ele. 


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